48. é melhor falar ou morrer?

Feb 11, 2018
cor cordium (latin. heart of hearts)
Oi flor, sei que sumi há muito e confesso que foi uma escolha egoísta. Mas na vida, aprendi que é necessário escolhermos nosso bem-estar algumas vezes. O pensamento de que tu não visitas mais este espaço me amedronta, afinal, que propósito teriam estas cartas sem que fossem lidas por ti?


Enfim, retornei aqui para recomendar-te um filme muito comentado ultimamente, sobre o encontro de duas almas que ultimamente não podem ficar juntas. Por razões diversas... por conta do tempo, mundo e pelas voltas que a vida dá. Me fez recordar a gente. Acho que fui o único, procurei teu número em todas as gavetas da casa mas não encontrei, acho que agora é mesmo pra sempre. Não dá pra lutar contra o destino, não é? 

Lembra daquela pasta que eu tinha no computador chamada 'coisas que queria ter escrito'? Datilografo aqui a última coisa salva nela, as vezes meu corpo dói ao ler coisas que parecem ter sido expurgadas da minha alma por um outro alguém. Te cuida, e se puder... assista ao filme de coração aberto, o meu continua assim desde que tu se foi. 


There is a law somewhere that says that when one person is thoroughly smitten with the other, the other must unavoidably be smitten as well. Amor ch’a null’amato amar perdona. Love, which exempts no one who’s loved from loving, Francesca’s words in the Inferno. Just wait and be hopeful. I was hopeful, though perhaps this was what I had wanted all along. To wait forever.André Aciman / Call Me By Your Name


47. autoretrato

Aug 8, 2016
recomeço. eu decidi que a partir de agora eu sou meu próprio jardim, ando cuidando com zelo de todas as flores dentro de mim. tanta coisa mudou nos últimos meses, passei a comer direito. 
saí do 44 pro 38, mudei o corte de cabelo. troquei o perfume favorito. em resumo, passei a me regar diariamente, fazer fotossíntese de sentimentos bons. ando me amando muito, morena. 
e, sinceramente, a minha companhia me basta. é como dizem por aí, pra gente amar direito tem que aprender a se amar primeiro. 

te cuida, aproveita o sol desse brasilzão por aí. 


mr. tambourine man.


o bilhete de despedida

Dec 13, 2015
talvez seja tudo culpa dessa minha memória chata que não me deixa esquecer essas coisas, mas estamos aí. dia 10. dois meses. 60 dias.
o tempo voa, parece que te conheço há bem mais tempo que isso.
em sessenta dias fomos de estranhos à próximos. de próximos à quase estranhos.
a vida tem dessas coisas. a pessoa certa na hora errada. a pessoa errada na hora certa.
mas esse bilhete é só pra expurgar essa vontade de te dizer o quanto tu és admirável.
ah, esse bilhete também é um adeus.


não que eu esteja prevendo que nunca mais nos veremos, espero pelo contrário. Mas essas coisas a gente não controla, querer não significa poder.
a única certeza que tenho, hoje, é a de que sentirei saudade de esbarrar com você no corredor e de ganhar um 'oi'. coisa boba. Mas eu sou assim, um bobo. Não é? hehe
É nós detalhes que encontro os momentos mais felizes, felicidades em cápsulas. E você fez parte de alguns dos mais importantes de doismilequinze, e decidi que até o fim dele serei teu. Até 31 de dezembro de 2015 eu sou teu. Mesmo de longe.

um abraço apertado, como aqueles que costumávamos compartilhar enquanto ninguém estava olhando.

fique bem, se agasalhe direito no frio canadense que queima a ponta do nariz.

do (ainda) teu anjo,
E.

45

Nov 7, 2015
Oi flor, esta é a última carta que te escrevo. Quando você estiver lendo isso, já estarei longe. Sim, eu tô indo embora. Tudo na cidade cinza me faz lembrar você e não sei por quanto tempo mais aguento isso. Eu te plantei, reguei, cuidei... mas no final meu jardim era feio e cheio de cicatrizes demais para você chamar de lar. Então, eu tô indo embora. Eu não vou voltar. Lembra quando ele disse que certas coisas ficam mais bonitas quando viram lembranças? A sua ainda me dói, mas um dia isso passa. Ao menos, é o que todo mundo fica me dizendo. Espero que teu novo jardineiro entenda tudo o que você significa. P.s: cuidado com as lagartas. Adeus.