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Dec 16, 2010
"Sinto-me terrivelmente vazio. Há pouco estive chorando, sem saber exatamente por quê. As vezes odeio esta vida, estas paredes, essas caminhadas de casa para a aula, da aula para casa, esses diálogos vazios, odeio até este diário, que não existiria se eu não me sentisse tão só. O que eu queria mesmo era um ombro amigo onde pudesse encostar a cabeça, uma mão passando na minha testa, uma outra mão perdida dentro da minha. O que eu queria era alguém que me recolhesse como um menino desorientado numa noite de tempestade, me colocasse numa cama quente e fofa, me desse um chá de laranjeira e me contasse uma história. Uma história longa sobre um menino só e triste que achou, uma vez, durante uma noite de tempestade, alguém que cuidasse dele."

Trecho de Limite Branco de Caio Fernando Abreu, gostaria que nunca acabasse. É quase como ler um livro escrito sobre mim de tantas as semelhanças (não físicas mas sentimentais), e os dias continuam passando brancos e vazios, continuo procurando um motivo pra fazer o tempo parar do jeito que tu fazias quando me abraçava, continuo sem sorte. Tenho medo de voltar àquele estágio em que nem fome eu tinha de tanto que a tua falta me consumia, sei que não vou mas não é fácil para um pessimista nato como eu aceitar o fato de que meu corpo aprendeu a lidar com a falta do teu amor. Será mesmo que aprendeu? Talvez o tempo responda.

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